A empresa TCA, ligada à família do ex-governador do Acre, Orleir Cameli, não chegou a operar comercialmente. A única aeronave 727 que trouxe ao Brasil (N580CR), pertencia à companhia de leasing norte-americana IAL Aircraft Holding Inc. Era um Boeing 727-247, com capacidade para 172 passageiros e valor estimado em US$ 10 milhões que foi autuado pela Receita em agosto de 1995 no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), com contrabando de computadores e outros equipamentos eletrônicos. Dois anos depois, a própria Receita Federal decidiu pela devolução do aparelho, que já estava incorporado à frota da Força Aérea. À época da devolução, havia decisão judicial em primeira instância favorável à tomada da aeronave pelo governo brasileiro. Porém, o governo brasileiro cedeu a pressões da Embaixada dos Estados Unidos e devolveu a empresa norte-americana o avião, apreendido por ter entrado ilegalmente no país. A correspondência trocada na época pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Melvin Levitsky, com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, evidencivam as pressões norte-americanas. Em março de 1997, o embaixador Levitsky argumentou que a devolução do avião "constituiria uma contribuição positiva para as relações comerciais entre os dois países". O jornal Folha de São Paulo apurou que o governo dos Estados Unidos informou que o relacionamento entre companhias de leasing norte-americanas e brasileiras ficaria sob risco, caso o 727-247 não fosse devolvido à IAL. O governo brasileiro, com receio que a IAL acionasse a União em tribunais internacionais pedindo ressarcimento pela perda do bem e lucros cessantes, achou por bem devolver a aeronave. O principal argumento da defesa era que a companhia norte-americana não tinha responsabilidade nos crimes cometidos pela empresa brasileira que alugou o avião.
Além do contrabando, o avião da Tropical tinha sido usado em outras irregularidades. A autuação de 25 de agosto de 1995 foi a segunda em dois dias. O avião havia perdido a licença para voar no Brasil, foi à Miami e voltou ao país com um prefixo modificado.
O tráfego do avião também foi irregular. Tinha um plano de vôo para voar de Miami até Manaus, mas desceu em Guarulhos. Depois da apreensão, a IAL pediu à TCA que pressionasse a Receita Federal. O governador Orleir Cameli (que ficou conhecido por ter pelo menos três CPF's) foi pessoalmente ao gabinete de Everardo Maciel para pedir a liberação do avião. A resposta do secretário da Receita foi direta e curta: "Lamento, governador, mas vai ficar". Com a Embaixada dos Estados Unidos, o relacionamento foi diferente. Entre 1995 e 1997, Everardo manteve o embaixador Levitsky informado, por correspondência, de todos os passos do processo administrativo do recurso da empresa norte-americana.
A vitória da IAL só foi possível graças a uma mudança de posição da Aeronáutica. Em 1995, a Força Aérea aceitou a aeronave.
Mas, em abril de 1997, depois de receber gestões dos advogados da IAL, comunicou que não se interessava mais pelo aparelho. Alegou que a manutenção implicava em muitos gastos. A Aeronáutica gastava R$ 990 por dia na manutenção do avião apreendido. Para efeito de comparação: a manutenção do Boeing presidencial 707 (o "sucatão") custa R$ 1.650 diários. Feitas as contas, a Força Aérea dispensou um avião de US$ 10 milhões para evitar o gasto de R$ 361.350,00 por ano. A devolução do avião resultou em um acordo entre governo e IAL. A Receita exigiu que a empresa desistisse o recurso que tramitava em segunda instância, no Tribunal Regional Federal. A FAB abriu mão do avião em troca do ressarcimento pelos gastos realizados em manutenção do Boeing. O processo foi retirado e a FAB recebeu R$ 210 mil. E o avião, visto abaixo ainda em São Paulo, valendo US$ 10 milhões na época, retornou aos EUA no dia 31 de outubro de 1997. Desde 2003, voa na Jatayu Airlines da Malásia como PK-JGT.
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Prefixo |
Serial/Line # |
Modelo |
Entrega |
Observações |
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| PP-AIU | N580CR |
20580 (0889) |
727-247(A) |
13/06/72 |
Devolvida EUA |
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