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O DESERTO

SEÇÃO ATUALIZADA EM 06.09.2002

O futuro do 727 ainda é promissor. Dos anos 80 para cá aconteceram grandes transformações no mercado aéreo mundial e com isto, fases de altos e baixos nas finanças das empresas afetaram todos os tipos de aeronaves. Em meados dos anos 80, uma onda de quebradeira de empresas aéreas nos EUA que durou quase uma década, lotou alguns desertos dos Estados Unidos, locais quase isentos de úmidade e com temperaturas não muito elevadas, ideais para o armazenamento de aviões comerciais e militares de todos os tipos, entre os quais muitos 727. Em alguns casos as empresas não estavam quebradas, nem se desfazendo de suas aeronaves, mas apenas evitando arcar com o custo de sua operação, frente ao menor número de passageiros em suas rotas, fatos muitas vezes sazonais. Alguns são "canibalizados", como os 727 da Pan Am vistos ao lado, em Mojave, no mês de outubro de 1992. Outros, voltaram a voar e ainda existem casos de aeronaves que voam direto das linhas de montagem para esta "temporada" no deserto.



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Com a retração do mercado causada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, muitas empresas aumentaram o ritmo de aposentadoria de modelos mais antigos e mesmo de modelos mais novos, em alguns casos definitivamente, em outros apenas esperando a retomada do ritmo normal de operações. O Boeing 727 está sentindo de forma mais forte esta retração de mercado, tendo acelerada a sua retirada das linhas da United Airlines, o que ocorreu ainda em 2001 e também na empresa American Airlines, que espera retirar todos seus 727 até o final deste ano. Um dos motivos é o consumo mais alto deste avião, em comparação com os novos 737 de terceira geração e os Airbus da mesma classe. Porém, a necessidade de redução de custos operacionais atinge o 727 também por outro fator: o uso de três tripulantes, ao invés dos dois que são necessários nos modelos mais novos.

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Uma empresa que sofreu nos anos 80 e hoje ainda existe e opera seus 727 é a Continental. Os aviões, vistos aqui em Mojave durante 1992, estavam sem o nome e o seu logotipo, mas quase 40 deles operaram na empresa até o ano de 2000, com o novo esquema de pintura. O 727 é um avião bastante adequado para rotas curtas e médias de alta-densidade, sua operação ainda é grande nos Estados Unidos e em países do terceiro mundo. A Federal Express, que utiliza o 727 em um vôo semanal Campinas-Buenos Aires-Santiago-São Paulo cinco vezes por semana, tem em sua frota mais de uma centena destas aeronaves. Abaixo, alguns dos "aviões do deserto", em fotos extraídas do livro Desert Airlines, de Graham Robson.

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N-8856E, um ex-Eastern Airlines, nas cores da falida Branniff estocado em Mojave em 1992


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N-726EV da Evergreen, que operou no Brasil como PP-SRZ na VASP, visto em Marana, Tucson, Arizona


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O 727 em uniforme, da USAF. Este ex-Lufthansa hoje está preservado pela Força Aérea Americana